'Quem és tu, velho, para saberes o que quer que seja sobre os meus pais?' perguntou Suresu, quase colérico.
'Sou apenas um velho, quase a morrer. Sei o que aconteceu aos vossos pais desde que aconteceu, pois eu estava ao lado deles quando eles caíram.'
'Mas quem és tu?’ insistiu Suresu.
'O meu nome, poucos o conhecem, e ninguém mais o deve conhecer, antes que o meu tempo neste mundo acabe. Mas as últimas pessoas que me conheceram chamavam-me Ytur. Se assim quiseres, chama-me assim' respondeu o velho.
'Mas como sabias os nossos nomes? Mesmo que tenhas visto os nossos pais morrer, como é possível que eles te tenham dito os nossos nomes? Eras, por acaso, algum barão? E a que propósito haveriam de te dizer os nossos nomes? O que importaria?' perguntou Siria.
'Os vossos nomes, nunca os vossos pais os referiram. Mas, desde que a profecia foi dita que eu os conheço. E desde que a profecia foi dita que eu procuro por vocês, pois sinto nos meus ossos que a minha missão é ajudar-vos a cumpri-la'.
'Que profecia? De que profecia falas, velho?' perguntou Suresu.
'Se vocês não conhecem a profecia, então é porque não ainda não estão prontos para a conhecer. A profecia revela-se a quem está pronto para a conhecer e a quem está pronto para fazer uso dela. A mim foi-me revelada, e a vossa missão é-me clara, mas não vos posso dizer nada. Quando tiverem que a conhecer, conhecerão. Até lá, eu vou-vos ensinar tudo o que sei, e vou-vos preparar para quando conhecerem. Vou ensinar-te a manejar uma espada, Suresu, e a ti, Siria, vou-te ensinar a usar o bastão, tanto para invocar magia, como para te defenderes sem magia. Esse bastão é um dos melhores, por isso, acho que deves ficar com ele. Tu, Suresu, bem, essa espada parece algo... Em mau estado... Vem cá, e mostra-ma.' disse Ytur.
'Espera um bocado! Como posso saber que tu és alguém de confiança?' perguntou Suresu.
'Bem, não podes. Mas deves confiar em mim.' Asseverou Ytur.
'Se tentares alguma coisa contra mim ou contra a minha irmã, encontrarás a minha espada na tua garganta!' prometeu Suresu, aproximando-se de Ytur e entregando-lhe a espada.
'Hum...' suspirou Ytur enquanto analisava a espada enferrujada de Suresu. 'Uma claymore. Boa escolha, não muito pesada, não muito leve, com bom alcance. E este balanço... Quem fez esta espada sabia fazê-las bem.'
'Foi o meu pai que a fez para mim' disse Suresu.
'Pois... Mesmo assim, vais ter que a deitar fora. Com esta ferrugem toda, até um pau a partiria.' Disse Ytur.
'Não! Não a vou deitar fora. Não está assim tão ferrugenta. Ainda a posso usar. E, se a deitar fora, como irei lutar, se não tenho espada? Onde arranjarei uma?' perguntou Suresu.
'Bem, quanto à utilidade da tua espada, podes vê-la.' Disse Ytur, aproximando-se de uma árvore. Antes que Suresu pudesse reagir, Ytur elevou a espada e tentou cortar um dos ramos. Com um tilintar, a espada partiu-se em vários fragmentos.
'Bem, agora é que não a podes usar mesmo. Quanto à tua pergunta, eu vou-te dar uma katana, uma espada japonesa, curva, com a lâmina de um lado apenas. Uma das melhores espadas do mundo, tem um equilíbrio quase perfeito, perfura tudo, é leve o suficiente para a usares durante horas, mas pesada o suficiente para poderes dar golpes fortes. Tem uma lâmina capaz de cortar até o metal, quando em bom estado. Aliás, permite-te usar uma mão cheia de técnicas.' Disse Ytur. 'Espera um bocado que eu já ta trago'
Ytur entra numa casa, e entretanto começa a chover. Os dois irmãos não se preocupam com a chuva, estão habituados a ela. As nuvens adensam-se mais, o céu está negro. Ytur sai com um embrulho na mão e entrega-o a Suresu. Este desenrola-o e deixa cair o pano que o envolvia, revelando uma espada magnificente, com uma lâmina esbranquiçada, um punho preto.
'Suresu...' chama Siria. 'Suresu... A espada do pai... Era igual a essa'
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