sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Capítulo 2 de Siria e Suresu: Mais memórias

Suresu e Siria acordaram na manhã seguinte, e, ouvindo os cães a ladrar atrás deles, começaram de novo a correr. Quando deixaram de ouvir os cães, pararam, colheram alguma fruta que havia no caminho e comeram com gosto.
'E agora? Como iremos fugir deles e sobreviver sem os pais e Suel?' perguntou Siria.
'Perguntas bem, mas não sei, irmã...' respondeu-lhe Suresu. 'Vamos embora, mas pelo mato, para lhes ser mais difícil perseguirem-nos'
Suresu e Siria entraram na floresta abriram caminho através dela, Suresu à frente, a desbravar o mato e Siria atrás a tentar ocultar a sua passagem.
Durante vários meses vaguearam eles, sempre no meio do mato, o que os manteve saudáveis e fortes. Quando não ouviam mais os cães, Suresu tinha já 19 anos e era um homem feito, forte mas pouco musculado, com cabelos negros lisos e ligeiramente longos, sem barba, e de feições inexpressivas. Siria tinha 14 anos, já se notava a esbelta mulher que iria ser. Usava um vestido de peça única que lhe ia desde os ombros até aos calcanhares, sem contudo roçar o chão. O seu cabelo chegava-lhe ao fim do vestido e era de um lilás claro muito belo.
Nessa altura, Suresu e Siria decidiram aventurar-se numa aldeia que conheciam apenas de vista. Quando avistaram a aldeia, aperceberam-se que saía muito fumo de lá. Cuidadosamente aproximaram-se da aldeia, Suresu com a sua espada de ferro já meio enferrujada e Siria com dois bocados de pau, pois as espadas de madeira tinham apodrecido. Quando entraram na aldeia viram que quase todos os edifícios estavam queimados e muitos produtos da aldeia espalhados pelo chão. Siria aproximou-se dum bastão de madeira branca com uma opala no topo, e dobrou-se para o apanhar.
'Tem cuidado, Siria, não te magoes' advertiu o irmão.
De repente, um bandido saiu da floresta e com uma faca na mão, carregou contra Siria. Suresu preparou a espada para atacar e correu para Siria, enquanto esta pegava no bastão. Um clarão enorme saiu do bastão e quando se dissipou, o bandido estava caído no chão, morto, e Siria olhava para o bastão, espantada.
'Venham cá, vocês os dois!' ouviu-se uma voz dizer, vinda de um edifício em ruínas, de onde espreitou uma cabeça.
Suresu e Siria aproximaram-se e viram que a cabeça pertencia a um homem idoso.
'Nunca vi ninguém usar magia sem ser ensinado e sobreviver. Se quiseres, posso-te ensinar a usar magia, a controlá-la, mas tenho que saber quem és' disse o velho.
'O meu nome é Siria, e este é o meu irmão Suresu' respondeu Siria antes que Suresu pudesse reclamar.
‘NÃO! Não pode ser... Suresu e Siria? Os irmãos cujos pais morreram na grande Batalha de Alibir? É impossível... A profecia concretizou-se...' exclamou o velho, levando os joelhos ao chão e colocando as mãos na cabeça, com uma expressão de alegria estampada no rosto.

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